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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Saudades do Paraíso.


“Nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana;
Quero ver o cara sentado na praça, assobiar e chupar cana”
(Benito di Paula).

Tem dias que é danado!
É só acordar e botar um disco de Benito di Paula (que eu nunca imaginei que um dia iria gravar CDs com música de Benito di Paula, mas, felizmente, meu amigo sloveno, Ivan, copiou um para mim) que o chão pode desaparecer debaixo dos seus pés. E nao debaixo dos caracóis dos seus cabelos, de Roberto ou de Caetano…
Deve ser por esse clima de Copa do Mundo que estamos passando.
Essa semana, quando eu ia pegar o metrô, com minha garrafinha de cachaça-com-licor-francês-de-rosas na mochila, rumo a Associaçao Amigos do Brasil em Barcelona, passaram um brasileiro na bicicleta, com a bandeirona verde e amarela, outro gritou pra mim de dentro do ônibus – talvez pelo fato de tanto ele quanto eu irmos com a camisa do Brasil e eu nem sei se ele é brasileiro ou nao, o que aquí nao importa muito…
Todo mundo falando do Brasil, aí vem Benito di Paula mostrando o Brasil pro “meu amigo Charlie Brown” e associando alegria, música e futebol…
É danado!
Se você pensa que nunca ia se embriagar tanto assim com esse clima abestalhado de Copa do Mundo (ao ponto de sair todo animado e abestalhado pelas ruas de Barcelona com uma camisona escrita Brasil no meio do peito), se você é daqueles que nao se emocionam fácil com uma musiquinha qualquer, se você é tao insensível ao ponto de nao entender aquela história da “minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá; as aves que aquí gorjeiam nao gorjeiam como lá” (mesmo que jamais soubesse que ave gorjeava, pensando que elas cantavam…), tenta migrar um dia pra ver como é danado esse negócio de sentir saudade.
Paulinho da Viola continua certo: “meu tempo é hoje”.
É engraçado porque a saudade nao vem em tempos certos.
Por exemplo, você nao tem saudades do ano passado, ou do dia em que saiu do Brasil, mas a saudade que bate é da adolescencia, de fatos que você nem costuma lembrar, de gente que você pensava que tinha esquecido até mesmo porque nem conhecia direito…
E deve ser um instinto psicológico freudiano qualquer se aliviar dizendo assim, para você mesmo: “Ah, mas se eu estivesse lá essa saudade tambem poderia ter despertado”! Um consolo. E aí se motiva a ir pra rua e aproveitar o dia. Carpe Diem.
Nessa hora, por exemplo, eu sinto uma enorme vontade de telefonar pro Companheiro Marcos Pereira. Por muitos motivos, além do fato de ser um Companheiro com C maiúsculo, daqueles que a vida só constrói na danada da política. Nas lutas da vida, e em nosso caso no sindicato, e no partido, e pescando nas águas da Praia do Paraíso.
E aí, levando em consideraçao que ele tá aquí mais “pertinho”, por acaso na Alemanha onde o Brasil tá jogando (como sempre começando mal) a Copa, recebendo a visita de outros amigos brasileiros (Carlota e Janda) casado como eu com uma “européia” (felizmente nao muito européias e muito menos europeístas), considerando que ele foi uma visita das mais ilustres que nós tivemos recentemente na nossa “festinha de casamento”, que foi minha primeira grande experiencia de dialogar sobre esse ato de migrar e mirar o Brasil mais de perto, lembrando que ele volta no próximo verao brasileiro para o verde mar de Porto de Galinhas onde vai morar com sua (nossa) Chris e que ele é um Revolucionário que nao esconde seus gostos pelos breguinhas clássicos (e nao tao clássicos, quanto populares - como sua infancia popular das típicas dificuldades socioculturais brasileiras), desaparece até a minha coragem de ligar pra ele – sendo eu frouxo como sou.
Espero que eles entendam.
Escutar o disco de Vital Farias que Alfredo (outro Companheiro) e Ivana trouxeram para Barcelona, Vixe Maria, nem pensar!
Saudade é isso mesmo Paulinho.
No dia que Laura mergulhou na Praia do Paraíso tinha um cocô boiando e ela achou sujíssima aquela praia. Realmente poluída, como eu nunca tinha visto. Afinal, para mim, sempre foi o "meu" paraíso.
Ana, a mae de Laura, adorou o caldinho de peixe “do Paraíso” tanto que de vez em quando ela prepara por aqui na Catalunha, assistindo o vídeo que Josep, o pai de Laura gravou dos peixinhos passeando no meio dos pés de Ana.
Um dia mostraremos a Joao. E levaremos ele para passear com os peixinhos. Pode ser pelos pés de Ana, pode ser pelos pés de Mainha, pode ser pra conhecer a mae de Marcos ou pra conhecer os projetos políticos de preservaçao ambiental do mar de Porto… ele é quem sabe. E, esperamos que nao cague no mar.
A água de Porto de Galinhas é de um verde azulado, sutilmente mais verde que azul.
A água do Mar Mediterrâneo é de um azul esverdeado, sutilmente mais azul que verde. Os Zóios de Laura sao verdes e ponto.

Mas, pra terminar, eu conto um conto que me encanta:
Carlota (nosso Mestre Fotógrafo) me levou pra pescar na Praia do Paraíso.
Nessa minha primeira experiência pesqueira eu fiquei horas com a varinha em paz, observando os peixes roubando a isca do meu anzol, enquanto Carlota pescava todos, até que ele mesmo perguntou porque é que eu nao fisgava os danados, com um golpe de mao.
Até hoje eu nao sei porque.
Eu sei é que eu nao sabia o que fazer.
E que, às vezes, continuo sem saber. E, nao sei porque, às vezes até gosto.
Hoje eu sei que gosto dos peixinhos passeando, do Caldinho de Ana, de Janda e de lembrar de Carlota pescando, com sua garrafinha de cachaça.

A vida é um Paraíso.
A saudade é isso.

O melhor peixe com cerveja foi o da Baía Formosa.
Mas essa, já é uma ooooooutra história…
Peixe é com cerveja; caldinho de peixe é com cachaça – nao esqueçam!

Para Girlayne, minha irmazona, que me ligou hoje pra dizer que, por falta de material médico na saúde pública brasileira, a cirurgia do meu pai foi adiada mais uma vez.
O que isso tem a ver?
“Nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana”…


Flávio Carvalho.
Primavera, quase verao de Barcelona. Puigdàlber. Dia de Santo Antonio de 2006.

P.S.: Viva meu Tio Condy e Benito di Paula! E eu que sempre pensei que nunca ia vestir uma camisa do Brasil por aqui “porque eu nao preciso, porque o já Brasil sou eu mesmo, bla bla bla…”…

Um comentário:

  1. Hoje coloquei meu nome completo, e que muito me orgulha... kkkkk acho que pra ver resultado de concurso ou sei lá... aí aparece no Google Flávio Carvalho de Barcelona e Falando num benito de Paula, que por coincidência Luciano (tomando cerveja com matinho)escutando e que é comentado no blog assim como eu Irmanzona (ADOREI) à quatro anos atrás eu acho.
    Deu Saudade e acho que nem tõ falando ou digitando coisa com coisa... vou parar e curtir Benito de Paula e minha Saudade...
    pq nem tudo pode ser pefeito!!

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